Alzheimer avança “saltando” de um neurônio para outro

Formação de placas amiloides e de emaranhados neurofibrilares no cérebro de pessoas com Alzheimer. Crédito: American Health Assistance Foundation.
Durante décadas, pesquisadores têm debatido se a doença de Alzheimer começa em regiões cerebrais vulneráveis independentes em momentos diferentes, ou se começa em uma região e então se espalha para áreas ligadas neuro-anatomicamente. Um novo estudo realizado por pesquisadores do Centro Médio da Universidade de Colúmbia, EUA, não apenas confirma a segunda hipótese, mas também mostra como a doença se propaga ao longo de circuitos cerebrais vinculados, “saltando” de um neurônio para outro. As conclusões, publicadas esta semana no periódico científico PloS One, abrem novas portas para uma maior compreensão da doença de Alzheimer e outras doenças neurológicas, bem como para o desenvolvimento de novas terapias.
A doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência, é caracterizada pelo acúmulo de placas (compostas de proteína beta amiloide) e emaranhados fibrosos (compostos de proteína tau anormal) em células cerebrais, os neurônios. Estudos post-mortem dos cérebros humanos e de imageamento neural sugerem que a doença, especialmente a patologia de emaranhado neurofibrilar, começa no córtex entorinal, responsável por um papel fundamental na memória. Então, durante a progressão do Alzheimer, a doença aparece em regiões superiores do cérebro ligadas anatomicamente.
“Estudos anteriores, incluindo estudos do MRI funcional em humanos, já haviam fundamentado esse padrão de propagação”, diz Scott A. Small, coautor do estudo. “Mas essas várias descobertas não mostraram, definitivamente, que a Doença de Alzheimer propaga-se diretamente de uma região do cérebro para outra”.
Para a experiência, os pesquisadores desenvolveram um rato transgênico com a proteína tau anormal humana encontrada no córtex entorinal. O cérebro do rato foi analisado em vários momentos durante 22 meses para mapear a propagação da referida proteína. Os resultados mostraram que durante o envelhecimento do rato, a proteína tau anormal se espalhou ao longo de um caminho anatômico, do córtex entorinal (associado à memória e navegação) para o hipocampo (principal sede da memória) e, em seguida, para o neocórtex (região do cérebro evoluída mais recentemente).
Os pesquisadores também descobriram evidências, as quais sugerem que a proteína tau anormal estava se movendo de neurônio para neurônio através de sinapses, as junções que as células nervosas usam para se comunicar umas com as outras. A descoberta desse fato é importante, pois orienta o desenvolvimento de novas terapias que bloqueiem a progressão da doença a partir de seu início.

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