Crânio de cão doméstico com 33 mil anos de idade é encontrado na Sibéria

O crânio de 33 mil anos de cão domesticado foi extraordinariamente bem preservado na caverna de Razboinichya nas Montanhas Altai da Sibéria. Crédito: divulgação/ University of Arizona/Nikolai D. Ovodov.
Um crânio de cachorro de 33 mil anos encontrado em caverna na Sibéria apresenta algumas das evidências mais antigas de domesticação canina, juntamente com outro achado igualmente antigo em caverna na Bélgica. As descobertas indicam que a domesticação de cães teria ocorrido em diferentes localizações geográficas ao mesmo tempo. O fato sugere que o melhor amigo do ser humano poderia ter se originado de mais de um ancestral, contrariando evidências anteriores de DNA.
Com 33 mil anos de idade, o crânio da Sibéria antecede um período conhecido como o Último Máximo Glacial. O período ocorreu entre 19 mil e 26 mil anos atrás, quando os mantos de gelo da última idade do gelo na Terra atingiram sua extensão máxima e alteraram drasticamente os padrões de vida de seres humanos e animais. Nenhuma das linhagens, do cão da Sibéria ou do cão da Bélgica, parece ter sobrevivido a esse período.
No entanto, os dois crânios indicam que a domesticação de cães por seres humanos ocorreu repetidamente em toda a história humana em diferentes localizações geográficas, o que poderia significar que cães modernos têm múltiplos ancestrais, em vez de um único ancestral comum.

O perfil do crânio de cão da Sibéria mostra o focinho mais curto e lotado de dentes, características que ajudaram os cientistas a determinar que o animal era domesticado. Crédito: divulgação/ University of Arizona/Nikolai D. Ovodov.
Greg Hodgins, coautor do estudo na Universidade do Arizona, EUA, esclarece que as características morfológicas de ambos os crânios encontrados apontam para espécies domesticadas. Lobos possuem longos focinhos pontudos e poucos dentes espaçados. Os resultados da domesticação exibem o encurtamento do focinho, o alargamento da mandíbula e o amontoamento de dentes. O excelente estado de preservação do crânio propiciou múltiplas medidas, as quais solidificam a hipótese de o animal ser domesticado. No entanto, é muito provável que ele não seja um ancestral dos cães modernos.
Hodgins acrescenta ainda, que antes do Último Máximo Glacial, as pessoas viveram com lobos ou espécies caninas em áreas geográficas distintas da Euro-Ásia e conviveram com esses animais o tempo suficiente para dar espaço à mudança evolucionária. Mas a mudança climática alterou os padrões de habitação humana e as relações com essas linhagens específicas de animais que, aparentemente, não sobreviveram.
“O interessante é que pensamos, normalmente, a domesticação como sendo de vacas, ovelhas e cabras, tudo o que produz alimentos como carne ou produtos agrícolas secundários, leite, queijo e lã e outros”, diz Hodgins. “Essas são relações diferentes daquelas que a maioria dos seres humanos têm com cães. Os cães não são necessariamente fornecedores de produtos ou carne. Eles fornecem proteção, companheirismo e podem ajudar na caça. E é realmente interessante pensar que isso possa ter acontecido primeiro, antes de todas as relações humanas com animais”.


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