Dunas em Titã, lua de Saturno, revelam história geoclimática

Dados enviados pela sonda Cassini da NASA mostram que os tamanhos e padrões de dunas da lua de Saturno variam em função da altitude e latitude. Crédito: divulgação/NASA.
Padrões lineares encontrados nas dunas de areia de grandes regiões desérticas não são exclusividades da Terra. Titã possui extensa área onde variações regionais como essas são observadas. As configurações na lua de Saturno foram analisadas a partir de dados enviados pelo radar da missão Cassini da NASA em parceria com a ESA (Agência Espacial Europeia) e a ISA (Agência Espacial Italiana) e revelam a influência da latitude e longitude para sua conformação.
As vastas planícies aparentemente uniformes de Titã pintam um retrato muito semelhante ao de nossa Lua. No entanto, áreas imensas – 13% de sua superfície, equivalente à dos Estados Unidos – apresentam dunas gigantescas de areia de hidrocarbonetos sólidos com cerca de um quilômetro de largura, centenas de quilômetros de extensão e 100 metros de altura. Essas acomodações de dunas representam seu segundo maior acidente geográfico e fornecem dicas sobre sua história geoclimática para a formação e evolução desse ambiente.
A partir das análises dos dados, os cientistas descobriram que o tamanho das dunas de Titã é controlado pela altitude e latitude. Devido à altitude, as dunas mais elevadas tendem a ser mais finas e mais separadas entre si. Os espaços entre as dunas parecem conter finas camadas de areia, o que sugere serem as dunas formadas pela areia depositada nas planícies. Por sua vez, a latitude limita as dunas de areia à região equatorial – 30 graus sul e 30 graus norte de latitude – sendo que o volume de areia diminui mais ao norte.
A distribuição irregular poderia ser devida à órbita elíptica de Saturno, segundo hipótese levantada pelos analistas. O movimento de Saturno em torno do Sol leva 30 anos para ser completado e determina a duração de sete anos para cada estação em sua lua. A órbita elíptica do planeta encurta e intensifica a estação de verão em Titã. A região sul da lua é provavelmente a mais seca, com grãos de areia mais leves para serem transportados pelo vento. Já no seu hemisfério norte, observa-se áreas mais úmidas com maior quantidade de mares e lagos de etano e metano líquido. A distribuição também assimétrica em termos de latitude reforça a hipótese dos cientistas.
Segundo argumenta Nicolas Altobelli, envolvido no projeto Cassini-Huygens da ESA, “como as dunas são formadas por hidrocarbonetos atmosféricos congelados, elas podem nos fornecer pistas importantes sobre o ciclo ainda intrigante de metano/etano em Titã, comparável em muitos aspectos com o ciclo da água na terra”.

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